No dia 15 de setembro, a Igreja celebra a memória de Nossa Senhora das Dores, também conhecida como Nossa Senhora da Piedade. Esta festa litúrgica recorda a dor e o sofrimento de Maria, a Mãe de Jesus, especialmente no momento em que, de pé junto à cruz, contemplou a Paixão e a morte do Filho amado. É um convite profundo à contemplação da compaixão materna de Maria e de sua íntima participação no mistério redentor de Cristo.
A devoção a Nossa Senhora das Dores tem origem no século XIII, quando a Ordem dos Servitas difundiu a prática de meditar sobre os sete momentos de maior sofrimento vividos por Maria, conhecidos como os Sete Dores de Nossa Senhora. Esta espiritualidade foi oficialmente reconhecida pela Igreja e passou a fazer parte do calendário litúrgico, justamente no dia seguinte à festa da Exaltação da Santa Cruz, para sublinhar o vínculo indissolúvel entre a cruz de Cristo e a dor de Maria.
Além da celebração mariana, o dia 15 de setembro também recorda o mártir São Nicomedes, um sacerdote romano que viveu durante as perseguições aos cristãos. Conhecido por sua coragem e caridade, Nicomedes arriscava a própria vida para enterrar os corpos dos irmãos na fé, um gesto de amor e respeito em tempos de brutalidade. Por se recusar a adorar os deuses pagãos, foi torturado até a morte, tornando-se exemplo de fidelidade e entrega total a Cristo. Seu corpo foi sepultado na Via Nomentana, em Roma, onde posteriormente se construiu uma igreja em sua honra.
Esta data, portanto, une duas figuras que testemunham, cada uma a seu modo, o poder do amor que não se rende diante da dor. Maria, na sua compaixão silenciosa, e Nicomedes, na sua fidelidade corajosa, apontam para a esperança cristã de que o sofrimento não tem a última palavra. Celebrar o 15 de setembro é, assim, um convite à reflexão sobre o mistério da dor humana iluminada pela fé e sobre a força do amor que se doa até o fim.