No calendário litúrgico da Igreja Católica, o dia 13 de outubro é marcado por uma rica diversidade de testemunhos de fé. Nesta data, celebramos com especial reverência Santo Eduardo, o Confessor, rei da Inglaterra e símbolo de santidade régia; ao seu lado, também recordamos com gratidão o jovem Beato Carlo Acutis, apóstolo da Eucaristia na era digital, e a beata portuguesa Alexandrina Maria da Costa, mística do sofrimento redentor. Cada um, em seu tempo e vocação, revela aspectos distintos e complementares da presença de Deus na história.
Santo Eduardo, conhecido como “o Confessor”, foi rei da Inglaterra entre os anos de 1042 e 1066. Nascido em uma família nobre por volta do ano 1003, sua juventude foi marcada pelo exílio na Normandia, durante um período turbulento de invasões vikings e instabilidade interna no trono inglês. Retornando à Inglaterra como herdeiro legítimo, Eduardo ascendeu ao trono e ficou conhecido não apenas por sua prudência política, mas sobretudo por sua profunda fé cristã e vida de oração.
O título de “Confessor” foi-lhe atribuído por sua ardorosa confissão de fé — não no sentido de ter sofrido martírio físico, mas por ter testemunhado o Evangelho com constância, piedade e fidelidade no exercício do poder. Ao contrário de muitos reis de sua época, Eduardo não buscava a glória bélica ou a expansão territorial, mas a estabilidade espiritual e moral de seu reino. Sua conduta inspirou o povo inglês a uma vida cristã mais devota, marcada pela caridade, justiça e confiança em Deus.
Durante seu reinado, incentivou a construção da Abadia de Westminster, que viria a se tornar não apenas um marco arquitetônico, mas um centro espiritual e dinástico da monarquia inglesa. Após sua morte, ocorrida em 1066, seus restos mortais foram solenemente trasladados para a abadia, e ali venerados como relíquias de um rei-santo. Canonizado em 1161 pelo Papa Alexandre III, Santo Eduardo permanece, até hoje, como padroeiro da Inglaterra e símbolo de uma realeza iluminada pela fé.
Entretanto, a santidade não pertence apenas ao passado medieval. O mesmo 13 de outubro nos remete ao presente recente com a memória do Beato Carlo Acutis, beatificado em 2020 pelo Papa Francisco. Nascido em 1991, em Londres, e falecido em 2006, em Monza (Itália), Carlo foi um adolescente como tantos outros, mas que viveu sua fé com intensidade singular. Dotado de inteligência brilhante e profundo amor pela Eucaristia, dedicou-se ainda muito jovem a catalogar milagres eucarísticos ao redor do mundo, usando a internet como meio de evangelização.
Carlo costumava dizer: “A Eucaristia é a minha estrada para o céu”. Com palavras simples e espírito ardente, tornou-se um verdadeiro apóstolo da presença real de Cristo no sacramento, aproximando outros jovens dos mistérios da fé com linguagem acessível e testemunho autêntico. Seu corpo repousa em Assis, e seu exemplo continua a inspirar a juventude católica a abraçar a santidade na vida cotidiana e nos meios digitais.
Na mesma data, a Igreja recorda ainda a beata Alexandrina Maria da Costa, nascida em 1904, em Balasar, Portugal. Após um acidente grave que a deixou paraplégica aos 19 anos, Alexandrina ofereceu seus sofrimentos em união com os de Cristo pela conversão dos pecadores e pela paz no mundo. Viveu anos de profunda experiência mística, recebendo visões, revelações e longos períodos de jejum total, alimentando-se apenas da Eucaristia.
Sua vida interior, marcada por intensa comunhão com a Paixão de Cristo, tornou-se uma verdadeira “via crucis” vivida em silêncio e contemplação. Beatificada pelo Papa João Paulo II em 2004, Alexandrina é um lembrete poderoso de que o sofrimento, quando unido a Cristo, torna-se redentor.
Portanto, o dia 13 de outubro, longe de ser uma simples data no calendário, apresenta-nos um mosaico de santidade que atravessa as épocas e contextos sociais: um rei que governou com justiça e fé; um jovem que evangelizou com tecnologia e amor à Eucaristia; e uma mística que transformou a dor em oferenda espiritual. Juntos, Santo Eduardo, o Beato Carlo e a Beata Alexandrina nos desafiam a viver a fé de modo concreto, seja no trono, na escola, ou no leito de dor.